Ela ainda está em fase de formação e desenvolvimento, mas, seguindo os moldes da Apache Software Foundation, a Open Web Foundation, uma entidade sem fins lucrativos, dedicada à abertura e ao desenvolvimento de tecnologias não proprietárias, visa a construção de uma estrutura social equilibrada, contribuindo na formação de uma união dos esforços de todos os movimentos que levantam a bandeira da Open Web, buscando desconstruir a fragmentação e somando forças para resolver os problemas da demanda.
Convidando todos os movimentos a unirem-se à fundação, trocar ideias, sugerir especificidades, merece ser reconhecida e receber nossas colaborações.
O Mozilla Drumbeat vai participar do 11° Fórum Internacional de Software Livre, de 21 a 24 de julho de 2010, em Porto Alegre. Será oferecida uma série de palestras e outras atividades de hacking e video, trazendo para o plano empírico alguns conceitos da Open Web.
As atividades começam com uma sessão sobre o WebMadeMovies, com Brett Gaylor – diretor do documentário RIP – Remix Manifesto – sobre novas formas de trabalhar com vídeo na web. Segue-se a esta atividade, uma maratona de 48 horas de produção de um documentário sobre como o FISL impacta o cenário de Open Web em Porto Alegre. Esta gravação pretende reunir o máximo de material possível para no dia seguinte ser feito um Hack <VIDEO> Sprint, onde os hackers vão trabalhar em cima do HTML5 <VIDEO>, para dar novas formas de visualizar esse conteúdo online.
Além disso, o diretor executivo da Mozilla Foundation, Mark Surman, comparece ao evento para explicar um pouco mais para o público brasileiro do que se trata o Mozilla Drumbeat, ideia que foi lançada no Brasil em março e desde então construída por colaboradores de todo o país.
Surman aproveita para falar sobre o Open Web Career, um projeto #drumbeat que está construindo um currículo básico para treinar desenvolvedores com habilidades voltadas para a Open Web. Pequenos grupos de estudantes motivados trabalham em torno de um conjunto de materiais livres, para responderem, de forma autônoma, a problemas pré-definidos — usando tecnologias abertas e construindo assim uma internet melhor. A ideia é que todos os cursos tenham um formato pioneiro, e sejam ministrados na Peer 2 Peer University (P2PU) — encorajando a experimentação, o auto-aprendizado, e ajudando os participantes a construirem capacidades que são cruciais no mercado contemporâneo. Nessa palestra, Mark Surman fala sobre esse projeto e sobre possíveis novos cursos em português, que devem começar em Setembro/2010.
E finalmente, além das atividades promovidas pelo Mozilla Drumbeat, será anunciada a seleção de um projeto brasileiro para uma bolsa especial no valor de US$5,000.00. Os projetos devem estar cadastrados no site do Drumbeat e atender aos princípios básicos dos projetos Drumbeat:
1. aperfeiçoem, fortaleçam ou protejam a web aberta de forma concreta;
2. encorajar as habilidades e criatividade de um grande número de pessoas que usam a internet no dia-a-dia.
Cadastre seu projeto e não perca o Mozilla Drumbeat no FISL 2010!
Há algum tempo, temos falado nos nossos canais de comunicação sobre o Drumbeat. A hashtag #drumbeat, inclusive, tem acompanhado nossa divulgação da próxima edição do Kommbo Express, nosso encontro batuta de comunicação. Além disso, no último final de semana, o Xande participou do Drumbeat – SP e nos relatou sua participação aqui. Hoje, apresentamos alguns motivos para acreditarmos e apoiarmos o projeto.
O Drumbeat é composto de projetos práticos e eventos locais que reúnem pessoas inteligentes e criativas em torno de grandes idéias, para resolver problemas e construir uma web aberta para os próximos 100 anos. A idéia é lançar um movimento. O primeiro passo disso é chamar e aglutinar pessoas em torno do mesmo ideal, com habilidade e criatividade para manter a Internet Livre. Professores, advogados, artistas, contadores, marceneiros e desenvolvedores web, enfim… qualquer um que use e se preocupe com a Internet.
A web é o mais poderoso veículo de comunicação, além de ser uma ferramenta perfeita de comércio, educação, ativismo, cultura, etc. Seu alcance global permite que pessoas conectadas ao redor do mundo troquem, compartilhem, desenvolvam projetos coletivos e recrutem militantes para as mais distintas causas. Transformar esse território com uma espécie de “estado de sítio” é prejudicial na organização destas manifestações e tolhe a prática de aperfeiçoamento dos seus recursos.
Usando as palavras da Mozilla, criadora do Drumbeat: é preciso”proteger, melhorar e cultivar a natureza aberta da Internet”.
Muitos tem questionado o interesse da Mozilla com a criação do Drumbeat. Antes de levantarmos críticas a respeito, é importante que relembremos a importância que a comunidade global teve no desenvolvimento da Open Web no mundo, com a criação do Firefox há 5 anos, o navegador livre, de código aberto [40% do código é escrito por voluntários], usado por mais de 330 milhões de pessoas no mundo. Além disso, a Mozilla é uma organização de benefício público, isto é, seu objetivo final não são os lucros, mas a melhora da experiência online das pessoas ao redor do mundo, de acordo com a instituição da Mozilla Foundation. Pra isso, suas ações encorajam e fomentam projetos que também tenham a visão de mundo voltada a tornar a internet melhor pra todos. Os canais de comunicação da Mozilla são transparentes e deixam claras as formas de conduzir suas ações. Informações interessantes podem ser encontradas no seu about, no blog da Comunidade Mozilla no Brasil e na seção Mozilla de Perto do site oficial.
Levando em consideração a forma histórica de atuação da Mozilla, o Drumbeat apóia projetos que venham de encontro a estas premissas.
Você também pode ajudar a construir a Wiki do Drumbeat.
Foi um prazer imenso estar presente num evento de tal importância para a web brasileira e mundial, debatendo sobre direitos legítimos, ansiedades, desejos e necessidades de regiões tão distantes pelo Brasil, além de conhecer pessoalmente pessoas com quem já colaboramos pela rede e outras [novas e bem vindas] amizades que deixaram marcadas lembranças fantásticas. Foram debates de alto nível, histórias e projetos pessoais que iluminam nossos caminhos, que somam muito para o nosso coletivo. São estas experiências que trazem força, direção e aferem o norte de nossas bússolas.
Também merece destaque a iniciativa da Mozilla Foundation, ali representada pelo Consultor Allen Gunn e pelos queridos amigos Pedro Markun, Daniela Silva e Diego Casaes da Esfera, por fomentar esse debate sobre o que é a OpenWeb ou Internet Livre sem impor ao grupo ali reunido um modelo pronto, criando somente o espaço e a dinâmica para o debate e deixando por conta do grande grupo de convidados a definição dos tópicos a serem debatidos, mesmo que isso tenha criado inicialmente um desconforto pela falta de informações. Foi instrumental para que os trabalhos se definissem pela base e não pelo topo da pirâmide.
No primeiro momento, na sexta-feira, nos encontramos (somente o grupo convidado para ser facilitador no debate) e tivemos contato com a dinâmica de grupo. Nós, da Zerotrack, já conhecíamos, pela participação, na semana anterior, no Drumbeat Florianópolis. Embora os novos participantes tenham ficado um pouco perdidos quanto aos objetivos, logo quebraram o gelo e partiram para um debate sobre os tópicos necessários para uma Internet Aberta, que pipocaram de todos os lados.
Discussões acaloradas sobre os tópicos Local X Global , Identificação X Anonimato, embates sobre a apropriação de tecnologia e localização cultural [até porque tínhamos pessoas no grupo muito engajadas com pontos de cultura e inclusão digital e que já fizeram e fazem muito pelo Brasil], sem falar da diversidade e dificuldade de recursos nas regiões mais ao Norte do país. Apesar disso, chegamos a um quase consenso de que o que pretendíamos era defender um canal de livre expressão, por onde o conteúdo trafega, e que conteúdo cultural e liberdade de expressão são questões de legislação, juntamente com as questões de segurança, privacidade e anonimato. Os tópicos foram afunilando em torno de eixos temáticos que definiram “por alto” os temas a serem debatidos num segundo momento.
No sábado, o evento foi aberto ao público, contando com um grupo maior e muito ativo, onde foram debatidos os diversos tópicos discutidos no dia anterior. Iniciamos os trabalhos convidando o público a refletir, através de um espectograma, sobre algumas questões fundamentais sobre a liberdade na internet, com perguntas do tipo: Você se sente seguro na internet?; Seus dados realmente são apagados ao excluir-se de uma rede social? e A internet é realmente descentralizada?, dentre outros tópicos, mais polêmicos.
Depois de um momento de descontração com a audiência, que já havia quebrado o gelo com brincadeiras e diálogos divertidíssimos, nos reunimos em grupos menores, com um facilitador em cada grupo, para auxiliar no debate. Sem conduzir, mas esclarecendo os objetivos, deixando os participantes dissertarem sobre os temas e levantando questões para debater no grande grupo. No final, resultou em um speed geek de apresentação de projetos para a OpenWeb.
A Mozilla Foundation espera receber muitos cadastros de projetos legais, que ajudem a construir e manter uma Internet mais livre e aberta. Todos os cadastros serão aceitos e poderão receber um destaque na capa do site do Drumbeat. Dentre eles, os mais bacanas serão escolhidos para receber apoio ferramental, podendo ser contemplados com uma bolsa de apoio de até US$25.000 da Mozilla Foundation.
Acredito que o evento foi um sucesso, pela dificuldade em reunir pessoas de todo o país, pelas diferenças culturais e específicas de cada região, por buscar envolver pessoas dos mais diversos tipos de atividade, técnicos e não técnicos, que tinham em comum somente o uso de internet para debaterem sobre temas tão complexos, sem conduzir ou propor um modelo, e tão somente sugerindo uma dinâmica de debate que funcionou a contento. Fico com a frase do Fabrício Zuardi : “O Saldo foi… (suspense ) POSITIVO” :)
De eventos desse porte, temos prazer em participar. Sabemos que não é o fim, mas apenas o começo de uma grande caminhada. Convido todos a conhecer e participar do Drumbeat ou cadastrar-se na lista e ajudar a criar e manter uma Internet mais Livre, aberta e colaborativa.
A todos deixo o meu abraço e congratulações.
Contem conosco!
P.S. Nossas fotos do evento podem ser visualizadas aqui