Se Barack Obama faz um discurso anticensura para outros países [ou fazia, antes do Wikileaks], parece que em casa, a prática é outra. Um projeto de lei que tramita no Congresso dos Estados Unidos vem tentando impor uma série de websites que deveriam ter o acesso bloqueado pelos provedores de internet. A prática, condizente com uma ditadura, deve ser aprovada pelo Comitê Judiciário do país por estes dias.
No Demand Progress, é possível saber em detalhes do que se trata o projeto e há espaço para assinar uma petição contrária à ação.
Além deste, nas próximas semanas deverá ser apresentado ao Congresso Americano um projeto de lei que determina que as empresas de internet sejam obrigadas a instalar grampos de captura de dados enviados pelos seus usuários. Trocando em miúdos, todos os serviços de e-mail, mensageiros instantâneos e programas de voz estarão sujeitos à livre interferência das agências de espionagem do governo, que argumentam o projeto como forma de combate ao terrorismo. Trata-se, na verdade, de cerceamento forte à liberdade.
Todos nós utilizamos a internet e ela faz parte do mundo social. Nenhuma pessoa ou organização pode ser privada da sua capacidade de se conectar a outras [...] e nenhum governo ou empresa pode ser autorizado a cortar uma ligação à internet como forma de promover seus objetivos de forma arbitrária.
Concordamos com Berners-Lee e defendemos uma internet livre, onde às pessoas não seja tolhido o direito de livre comunicação em rede.
“A Internet deve continuar livre. A liberdade é que permitiu criar um dos mais ricos repositórios de informações, cultura e entretenimento de toda história. Nós, defendemos que a rede continue aberta. Defendemos que possamos continuar criando conteúdos e tecnologias sem necessidade de autorização de governos e de corporações.
Não admitimos que a Internet seja considerada a causa da pedofilia. Denunciamos as tentativas de grupos conservadores em superdimensionar o potencial criminoso da Internet para criar um estado de temor que justifique a supressão de direitos e garantias individuais. Alertamos a todos que estas forças obscuras querem aprovar no final desta legislatura o AI-5 Digital, substitutivo PL84/89 antigo PLS 89/03+ redigido pelo Senador Azeredo.
Não admitimos que as pessoas sejam obrigadas a se cadastrar para navegar na rede. Consideramos que a vinculação de um número IP a identidades civis é inaceitável. Não queremos ser uma China. Controles exagerados na rede poderão sufocar a sua criatividade e implementar o vigilantismo que é democraticamente insustentável.
Os internautas brasileiros construiram colaborativamente um marco civil que define direitos e deveres dos cidadãos nas redes digitais e rejeitam uma lei que sirva aos interesses apenas dos banqueiros e da indústria de copyright.
A diversidade e liberdade são a base de uma comunicação democrática. O acesso à Internet é um direito fundamental.
Abaixo o AI-5 Digital.”
São Paulo, 15/16 de novembro de 2010.
Vimos no Pedro Markun e republicamos.
Também incentivamos a leitura, o entendimento e a republicação da carta.
Entre 3 e 5 de novembro, Barcelona vai receber mais de 250 edupunks, desenvolvedores web, artistas, escritores de obra livres, colaborativas e hackativistas para discutir as formas de reinventar o futuro da aprendizagem e da liberdade na web. Como de costume, o evento é colaborativo e ideias podem ser incluídas na wiki do festival.
O blog do Drumbeat também traz todas as informações sobre o evento, além de apresentar as iniciativas e projetos da Mozilla Drumbeat pelo mundo. A palavra de ordem do Drumbeat é colaboração e as maneiras de se envolver são diversas. Afinal, em sua visão de mundo, todo mundo tem algo a aprender e também a ensinar.
No vídeo abaixo, Joi Ito, CEO da Creative Commons, que tem uma história fantástica sobre educação, dá uma prévia da sua palestra no Drumbeat Festival e compartilha algumas de suas ideias sobre ensino e aprendizagem informal. Vale a pena assistir.
Acontece em Belém no próximo dia 25 de setembro, sábado, o Mozilla Drumbeat, evento que visa discutir e promover a internet aberta. O evento idealizado pela Mozilla Foundation acontecerá em conjunto com a programação do Vivo ARTE.MOV um espaço que reúne artistas, jornalistas e especialistas em tecnologia para um reflexão crítica que aborda temas como cultura, ecologia, mobilidade e tecnologia.
A Mozilla Foundation é uma fundação que mantém todo o software e projetos Open Source da linha Mozilla, como Firefox, Thunderbird e complemetos para os mesmos, como Venkman, DOM Inspector, Bugzilla, Bonsai, Tinderbox. Também é responsável por produzir documentação relacionada à internet e promover padrões de produção de conteúdo digital.
O Mozilla Drumbeat é uma comunidade internacional de pessoas que compartilham um objetivo em comum: promover a web aberta e mantê-la livre. Para isso, a Mozilla quer reunir pessoas de diversas áreas que usam a Internet em seu cotidiano para fazerem coisas que tornam a web melhor e que ajudem a mantê-la aberta por um longo tempo.
O Drumbeat ja foi realizado em Cordoba (Argentina), Jordan, Bosnia, Montreal, Bolivia, Sydney (Australia), Pachuca, Hidalgo (Mexico), Abuja (Nigeria) Amsterdam, Vancouver, São Paulo, São Carlos, Florianópolis, Rio de Janeiro e Maceió, promovendo discussões em prol da Internet Aberta para que não haja permissão de terceiros para produzir e desenvolver projetos na internet (nem a governos, nem a empresas). Falar de Internet Aberta é lutar para que a internet continue acessível a todos em termos de infra-estrutura, acesso e tecnologias de padrão aberto.
O festival Vivo ARTE.MOV prioriza a utilização consciente das mídias móveis para fins de construção de formas de compartilhamento de conhecimento, acesso à informação e arte, além de inserção de experiências no espaço público, através de uma programação cultural que explora as possibilidades criativas de iniciativas nesse campo.
Neste contexto, a parceria entre o Mozilla Drumbeat e o Festival Vivo ARTE.MOV é uma ação conjunta entre facilitadores que ja participaram desses eventos em outras cidades e agora unem forças para integrar regiões do páis em torno do debate da internet aberta na concepção de projetos que revolucionem as nossas formas de pensar e fazer arte e tecnologia. O Drumbeat Amazônia é um espaço interativo de diálogo para pensar e promover a utilização crítica da internet na maneira como pensamos, vivemos e planejamos nossas cidades.
Quer participar do Drumbeat Amazônia? Então anote na sua agenda:
25 de Setembro de 2010 Forum Landi Belém dás 10h até 17h
A liberdade na internet volta a ser pauta por conta de posturas culturais que envolvem política e religião.
Mais uma vez, o tribunal paquistanês bloqueou o acesso a inúmeros sites sob a acusação de serem ofensivos aos muçulmanos, entre eles o YouTube. Para os muçulmanos, toda e qualquer representação do profeta Maomé é considerada uma atitude blasfêmica. A tolerância é mínima também com tudo que envolva Alá [sua representação divina] e o Corão [seu livro sagrado]
Em maio, autoridades bloquearam o Facebook, o Youtube e o Twitter, por ordem judicial. Contra o Facebook, os argumentos vieram depois que um movimento usou imagens do profeta Maomé para protestar contra as ameaças de um grupo extremista muçulmano. Além destas, outras 450 manifestações diversas na rede mundial de computadores foram bloqueadas no mesmo mês.
O evento foi realizado no Let’s Rock, na Lagoa da Conceição e, como sempre, reuniu pessoas interessadas e interessantes do cotidiano das mídias sociais, web, comunicação e cultura de Santa Catarina. A noite foi regada a conversas informais sobre internet livre, sistemas operacionais, design, usabilidade e liberdade de expressão, acompanhadas de sinuca, comidinhas, bebidas e uma pista de dança fervendo ao som dos DJs Edu Galvani, Paulera e Cói Werner.
O tema deste ano do Kommbo #drumbeat foi Internet Livre e os bate-papos sobre privacidade, propriedade autoral e compartilhamento de informações rolavam em várias rodas de conversa. O Drumbeat é uma iniciativa da Mozilla Foundation, composta de projetos e eventos locais que reúnem pessoas em torno de idéias, como construir uma web aberta. A idéia é lançar um movimento aglutinador de todas as pessoas que utilizam, desenvolvem e defendem uma internet livre.
Segundo Alexandre Santos e Silva, um dos organizadores, “foi muito bacana reencontrar velhos amigos e conhecer pessoalmente outros tantos, num ambiente descontraído e sem a necessidade de papéis, prazos e pressões, além de discutir idéias bacanas sobre software livre, internet livre, mercado, sistemas operacionais, idéias para um mundo melhor, cauda longa, free, Deleuze, Foucault, vegetarianismo e Iron Man… e porque não dizer que foi ótimo comer, beber e dançar com uma galera super do bem”.
Da blogueira de Balneário Camboriú ao coordenador do MBA em Marketing Digital do Rio de Janeiro, os participantes saíram satisfeitos com a “festa geek” e a oportunidade de materializar avatares tão próximos pelo dia-a-dia online.
Há algum tempo, temos falado nos nossos canais de comunicação sobre o Drumbeat. A hashtag #drumbeat, inclusive, tem acompanhado nossa divulgação da próxima edição do Kommbo Express, nosso encontro batuta de comunicação. Além disso, no último final de semana, o Xande participou do Drumbeat – SP e nos relatou sua participação aqui. Hoje, apresentamos alguns motivos para acreditarmos e apoiarmos o projeto.
O Drumbeat é composto de projetos práticos e eventos locais que reúnem pessoas inteligentes e criativas em torno de grandes idéias, para resolver problemas e construir uma web aberta para os próximos 100 anos. A idéia é lançar um movimento. O primeiro passo disso é chamar e aglutinar pessoas em torno do mesmo ideal, com habilidade e criatividade para manter a Internet Livre. Professores, advogados, artistas, contadores, marceneiros e desenvolvedores web, enfim… qualquer um que use e se preocupe com a Internet.
A web é o mais poderoso veículo de comunicação, além de ser uma ferramenta perfeita de comércio, educação, ativismo, cultura, etc. Seu alcance global permite que pessoas conectadas ao redor do mundo troquem, compartilhem, desenvolvam projetos coletivos e recrutem militantes para as mais distintas causas. Transformar esse território com uma espécie de “estado de sítio” é prejudicial na organização destas manifestações e tolhe a prática de aperfeiçoamento dos seus recursos.
Usando as palavras da Mozilla, criadora do Drumbeat: é preciso”proteger, melhorar e cultivar a natureza aberta da Internet”.
Muitos tem questionado o interesse da Mozilla com a criação do Drumbeat. Antes de levantarmos críticas a respeito, é importante que relembremos a importância que a comunidade global teve no desenvolvimento da Open Web no mundo, com a criação do Firefox há 5 anos, o navegador livre, de código aberto [40% do código é escrito por voluntários], usado por mais de 330 milhões de pessoas no mundo. Além disso, a Mozilla é uma organização de benefício público, isto é, seu objetivo final não são os lucros, mas a melhora da experiência online das pessoas ao redor do mundo, de acordo com a instituição da Mozilla Foundation. Pra isso, suas ações encorajam e fomentam projetos que também tenham a visão de mundo voltada a tornar a internet melhor pra todos. Os canais de comunicação da Mozilla são transparentes e deixam claras as formas de conduzir suas ações. Informações interessantes podem ser encontradas no seu about, no blog da Comunidade Mozilla no Brasil e na seção Mozilla de Perto do site oficial.
Levando em consideração a forma histórica de atuação da Mozilla, o Drumbeat apóia projetos que venham de encontro a estas premissas.
Você também pode ajudar a construir a Wiki do Drumbeat.