Por uma Internet Livre
Publicado em 14 de junho de 2010 por ascatia, na categoria Internet Livre.

Antes de propormos a discussão de uma internet livre, precisamos definir alguns entendimentos acerca da liberdade. Segundo Kant, a liberdade é algo que pressupõe o ser humano como um sujeito livre e autônomo, sem estar sujeito à interferência de outrem e com capacidade de raciocínio acerca das regras de seu contexto. O conhecimento, a autonomia e a vontade [princípio] devem funcionar de forma orgânica, como ponto central em torno do qual o homem gira, sendo autor e submisso à própria lei. Sartre diz que a liberdade, se não é absoluta, não existe como tal. Precisa estar livre de determinismos ou qualquer outra forma de condicionamento.
A filosofia nos apresenta distintas e interessantes discussões acerca do conceito de liberdade e, a partir delas, nos propomos a debater alternativas para tornar a internet livre e aberta, da forma como acreditamos que deve ser. Uma internet livre passa por uma sociedade consciente e racionalmente responsável por suas defesas e caminhos escolhidos. O direito à informação é um dos direitos fundamentais e bloquear o acesso a isso tolhe esse direito na sua premissa básica.
Como princípios ideiais de uma internet livre, podemos citar a doação de obras intelectuais gratuitamente, o movimento de software livre, código aberto e os blogs, a oportunidade de exercitar o espírito colaborativo, através das trocas espontâneas, de uma rede que permita a emergência de comunidades virtuais flexíveis. As inovações tecnológias tem um caráter riquíssimo, que permite a contestação de ideologias impostas por supostos líderes de opinião. Uma estrutura horizontal, não hierárquica, tem muito mais valor de contribuição para a liberdade.
Richard Barbrook, em Futuros Imaginários, acena sobre o papel dessas inovações: “A convergência da mídia, as telecomunicações e os computadores não libertam – nem nunca irão libertar – a humanidade. A Internet é uma ferramenta útil, não uma tecnologia redentora. O determinismo tecnológico não molda o futuro da humanidade: quem constrói o futuro é a humanidade em si, usando novas tecnologias como ferramentas.”
Diante desses acenos, duas perguntas:
Por quais caminhos colaboramos com este movimento? Vamos debater?