Publicado em 20 de abril de 2011 por ascatia, na categoria Notícias.
A CNN lançou, há cerca de um mês, um projeto que dá um passo além do conhecido jornalismo cidadão. Open Stories é uma combinação entre jornalistas profissionais e cidadãos na cobertura de temas importantes, no modelo de produção crowdsourcing, que utiliza inteligência e conhecimento coletivos e voluntários na produção jornalística.
O avanço no crowdsourcing em relação a outros modelos é a eliminação do “especialista acadêmico de última hora”. O cidadão advogado contribui no esclarecimento e na informação acerca de determinada lei, por exemplo, valorizando-se e respeitando assim, a sua experiência.
O projeto inaugurou chamando as pessoas à participação na cobertura da conferência anual do SXSW, que rolou em Março.
A colaboração pode ser feita através de dispositivos mobile.
Há algum tempo, temos falado nos nossos canais de comunicação sobre o Drumbeat. A hashtag #drumbeat, inclusive, tem acompanhado nossa divulgação da próxima edição do Kommbo Express, nosso encontro batuta de comunicação. Além disso, no último final de semana, o Xande participou do Drumbeat – SP e nos relatou sua participação aqui. Hoje, apresentamos alguns motivos para acreditarmos e apoiarmos o projeto.
O Drumbeat é composto de projetos práticos e eventos locais que reúnem pessoas inteligentes e criativas em torno de grandes idéias, para resolver problemas e construir uma web aberta para os próximos 100 anos. A idéia é lançar um movimento. O primeiro passo disso é chamar e aglutinar pessoas em torno do mesmo ideal, com habilidade e criatividade para manter a Internet Livre. Professores, advogados, artistas, contadores, marceneiros e desenvolvedores web, enfim… qualquer um que use e se preocupe com a Internet.
A web é o mais poderoso veículo de comunicação, além de ser uma ferramenta perfeita de comércio, educação, ativismo, cultura, etc. Seu alcance global permite que pessoas conectadas ao redor do mundo troquem, compartilhem, desenvolvam projetos coletivos e recrutem militantes para as mais distintas causas. Transformar esse território com uma espécie de “estado de sítio” é prejudicial na organização destas manifestações e tolhe a prática de aperfeiçoamento dos seus recursos.
Usando as palavras da Mozilla, criadora do Drumbeat: é preciso”proteger, melhorar e cultivar a natureza aberta da Internet”.
Muitos tem questionado o interesse da Mozilla com a criação do Drumbeat. Antes de levantarmos críticas a respeito, é importante que relembremos a importância que a comunidade global teve no desenvolvimento da Open Web no mundo, com a criação do Firefox há 5 anos, o navegador livre, de código aberto [40% do código é escrito por voluntários], usado por mais de 330 milhões de pessoas no mundo. Além disso, a Mozilla é uma organização de benefício público, isto é, seu objetivo final não são os lucros, mas a melhora da experiência online das pessoas ao redor do mundo, de acordo com a instituição da Mozilla Foundation. Pra isso, suas ações encorajam e fomentam projetos que também tenham a visão de mundo voltada a tornar a internet melhor pra todos. Os canais de comunicação da Mozilla são transparentes e deixam claras as formas de conduzir suas ações. Informações interessantes podem ser encontradas no seu about, no blog da Comunidade Mozilla no Brasil e na seção Mozilla de Perto do site oficial.
Levando em consideração a forma histórica de atuação da Mozilla, o Drumbeat apóia projetos que venham de encontro a estas premissas.
Você também pode ajudar a construir a Wiki do Drumbeat.
Quando se discute sobre comunicação e marketing, Juliana Maria é “expert” no assunto. Como o Kommbo respira comunicação, Juliana conta um pouco da história do Kommbo:
“Talvez muitos não saibam a origem dessa bagunça organizada e gostosa que é o Kommbo. Alguns estiveram presentes na primeira edição, na longínqua tarde (infernalmente quente) de sábado, numa inusitada tomada de assalto que fizemos nas instalações da Cervejaria Einsenbahn, em Blumen City.Foi lá que a idéia tomou forma e ganhou força. Foi lá que vimos: Ziggy, Ariel, Tiago, Gicóns e mais; que esse negócio não podia acabar em uma única edição, pois afinal nosso conteúdo é altamente perecível. Nada daquelas palestras chatas com fichinhas amareladas pelo tempo. Kommbo é o bonde da vez, do dia, do instante (em tempos de Twitter, não tem como ser menos que isso, certo?).
Dia 11 estaremos reunidos novamente, em mais uma dessas oportunidades de convívio salutar, inteligente e produtivo.”
Juliana Maria – Consultora em Comunicação e Marketing – CDM
No dia 9 de julho participei de um ótimo evento organizado pelo meu colega Tiago Jaime Machado, o Kommbo. Evento onde falei um pouco sobre minha pesquisa com jovens Argentinos, e, conseqüentemente, de pontos que acho importante desconstruir na noção de “digital”. Os convido a me acompanhar em uma visita pelos meus Slides (aviso aos desavisados, o post é longo.)
Sinto que todas as apresentações feitas nos últimos dois anos usam, em demasia, termos como: web 2.0, Web Social ou, pior ainda, frases de efeito que demonstram como, agora, é o usuário que tem o poder. Acho tudo isso uma bobagem. E por isso, quero chamar a atenção para dois pontos que muitas vezes são esquecidos pelos experts dessa “new internet experience”.
A primeira de todas as descostruçoes à ser feitas é: Não existe, apenas, o digital. Não se pode pensar o plano digital como sendo uma esfera separada da Real Life. A linha que divide estas duas esferas é cada vez mais tenue e, para quem trabalha tentando propagar idéias ou produtos entre pessoas, pensar como conseguir ter impacto nos dois planos ao mesmo tempo é fundamental.
Esta lei tornou-se ainda mais importante quando passei a notar que, cada vez mais, o conteúdo criado em meios digitais quer extravasar para o “plano físico”. Quero apresentar dois casos que observei durante meu tempo de pesquisa na Argentina que mostram e exemplificam esta propriedade instável do conteúdo digital.
Sempre que conversava com os adolescentes argentinos, o Facebook e , conseqüentemente, o Pet Society, apareciam como pontos importante na conversação. Como antropólogo (ou, melhor dito, fofoqueiro com diploma) me interessei muito pelo jogo, por que, além de ser aditivo, parecia importante para os garotos e garotas com os quais conversei.
O jogo consiste em montar uma casa para seu Pet – um bichinho criado pelo próprio jogador. Para poder montar a casa são necessários objetos que podem ser comprados no jogo com o dinheiro que se ganha em mini joginhos que envolvem a participação de seus amigos do Facebook. O jogo permite a troca de objetos entre amigos e tem uma grande comunidade hispânica que, através de forums e blogs, viabiliza a comercialização e troca dos objetos.
Ele me contaram (o video do youtube pronto tera legendas, aguardem.) que esta troca não é apenas de objetos virtuais por objetos virtuais. Eles, também trocam objetos virtuais por dinheiro real e, ainda mais interessante, por favores. Foi no ultimo exemplo que me foquei, pois, eles me contaram que uma vez um menino trocou um objeto com uma garota amiga dele com a condição de ela o acompanhasse à casa de uma menina que ele estava paquerando – este tipo de troca, eles me contaram, é freqüente.
Percebi que a ferramenta, inicialmente, criada para a interação no meio digital “sentiu a necessidade” de sair do meio virtual para agir na vida real. E Play Fish, a empresa por trás do joginho aproveitou-se da forma em que o jogo foi apropriado pelos usuários e não bloqueou os métodos de troca alternativos.
Outro grupo com o qual tive contato durante minha viagem à terra de los hermanos foram os Floggers. Este grupo de adolescentes tem uma historia muito particular que mostra os limites de pensar separadamente o mundo real do digital.
O grupo começou de forma pouco homogênea. Eram um monte de meninos e meninas que tinha flogs (Fotologs), entre eles eram amigos e cada um deixava comentários nos flogs dos outros. Como qualquer grupo que passa a interagir, com o tempo, criaram suas próprias formas de falar, – criando palavras como arreee – de se vestir e de se relacionar. Toda a interação limitava-se ao ambiente virtual. Contudo, uma das meninas floggers, Cumbio, percebeu que “o grupo estava muito prendido na tela” e que precisavam “fortalecer os laços”.
Ela organizou o que seria o primeiro de muitos encontros entre o garotas e garotos Floggers de Buenos Aires na frente do Shopping Abasto.
Além de Cumbio ser um exemplo claro do tipo de líder que Seth Godin aponta, em seu livro Tribes, como fundamental para iniciar um movimento social, ela foi perspicaz ao perceber a vontade dos floggers de sair do meio digital.
Junto com ela, a Nike – que vale lembrar investe pesado em sua equipe de pesquisas antropológicas – iniciou uma campanha publicitária que consistia em que o grupo desenhasse um “Tenis floggers”. Para desenhar o tênis, os floggers, entravam em um site onde projetavam seus tênis ideais e podiam postar seus protótipos em seus floggs; o modelo ganhador, foi fabricado pela Nike e um tênis-tobogã gigante apareceu na frente do shopping onde os garotos e garotas se reúnem – gerando milhares de fotos nos flogs com o tênis gigante.
A campanha ainda envolveu uma serie de atividades online e offline patrocinadas pela Nike onde os floggers conseguiram misturar as duas esferas de interação – da forma em que o vinham fazendo – tornando a campanha algo que facilitasse e não que interrompesse a comunicação. Isto é importante por que, hoje, uma campanha pensada apenas para impactar no meio digital interrompe as conversas que, naturalmente, perpassam tanto a virtualidade como a realidade.
O segundo ponto (aposto que muitos já esqueceram que eram dois pontos) a desconstruir e a idéia de que os meios digitais são de fato “meios de comunicação”. Prometo ser breve pois este tema é longo e se estiverem interessados posso fazer mais um post ao respeito.
Quando se diz que os computadores, a internet ou os celulares são meios de comunicação minha primeira reação e soltar minha histérica risada. Um meio de comunicação é aquilo que está entre duas pessoas e lhes permite manter uma conversação. A internet, o celular e os meios digitais não são meros conectores! Ao contrario os meios digitais são Mediadores de conversações.
Caros leitores, quantas vezes o seus celulares os fizeram voltar para casa pois os tinham esquecido? Sim, foram os celulares que tiveram ação sobre vocês. Quantas vezes replanejaram suas reuniões em função de tomadas por que seus laptops pediam bateria? Amigos, a partir do momento em que estes aparelhos passam a ter agencia sobre suas decisões eles deixam de ser meros meios de comunicação e passam a ser mediadores de comunicação.
Você pode pensar “Ok, senhor Alberto. Mas que Me*#a muda com essa por#a de meio e mediador?” E eu, além de ficar incomodado com seus xingamentos lhe direi: “Tudo! Absolutamente Tudo!”.
Uma das principais mudanças recai sobre a máxima babaca de que a internet é o lugar onde vale tudo e tudo é possível. Quando você, querido leitor, para de pensar a internet sobre essa ilusão, as suas tentativas de construir, participar e impactar grupos sociais passarão a ser muito mais efetivas. Quando você passa a pensar que a internet (e outros meios digitais) é tão limitadora quanto possibilitadora fica muito mais fácil construir formas de comunicação efetivas.
Assim, tomando todas as idéias ao mesmo tempo e tentando resumir algo difícil de sintetizar, cabe relembrar que: Os meios digitais estão gritando suas necessidades de extravasar para o “mundo real”; isto deve-se ao fato dos meios digitais serem mediadores construídos, cotidianamente, pela interação de indivíduos sociais que têm seu intercâmbio de informações possibilitado e impossibilitado por estas formas mediadas de comunicação.
(complicado, eu sei, mas leia três vezes que, que nem haiku, começa a fazer sentido.)
Gica e eu econtramos uma maneira muito interessante de matar o tédio do feriado de Páscoa em Blumenau. Estamos organizando um debate sobre comunicação, web, novos meios e tendências. O dito-cujo já tem nome: Kommbo 2008/A (kommunikation + combo) e acontecerá no dia 22 de março, um dia antes da Páscoa, em Blumenau.
Estávamos procurando um lugar que fosse agradável e que tivesse internet wi-fi. Eis que encontramos o melhor de todos: o bar da fábrica da cervejaria Eisenbahn. Isso mesmo, senhores. Um debate sobre comunicação, web, novos meios e tendências em uma cervejaria. Ah, e a entrada é gratuita. O que poderia ser melhor?